sábado, 9 de maio de 2009

Prólogo

Tarde de verão e o Rio de Janeiro ardia com um calor descomunal de, aproximadamente, 30º. Os jogadores adentraram a arena, carregando a esperança de milhares de torcedores e admiradores do Clube de Regatas Vasco da Gama em todo o mundo. Agitados, do mesmo jeito que as crianças que os aguardavam na saída do túnel, partiram para a maior batalha de todos os tempos do clube.
Apesar de marcado por uma tradição de glórias e vitórias, a batalha da vida de jogadores e torcedores naquela tarde foi justamente o oposto do que a história conta. O clube brigava com unhas e dentes para se manter na elite do futebol brasileiro.
Era, aproximadamente, 16:05h e a tropa surge no gramado. Liderada pelo capitão Edmundo – guerreiro acostumado a levar o plantel aos pontos mais altos de tabelas de classificação – a equipe entra com um ar sombrio. Algo que, em muitos anos, nenhum torcedor imaginou.
O então comandante Renato Gaúcho optou por expor o time aos ataques da equipe adversária e relacionou para a partida:
Rafael; Wagner Diniz, Odvan, Jorge Luís e Johnny; Jonílson, Mateus e Mádson; Leandro Amaral, Edmundo e Alex Teixeira.
Ao contrário do clima que se desenhava dentro do gramado antes do duelo, as esperanças nas arquibancadas se multiplicaram ao chegar o mago Pai Santana. Profeta, dono de uma vida, praticamente, toda dedicada ao clube.
O calor não dava trégua, tal qual a imprensa que invadiu o gramado antes do apito inicial em busca de qualquer declaração dos jogadores, principalmente Edmundo. Porém, o capitão do time preferiu medir as palavras e, de acordo com o seu histórico, optou por um silêncio metafórico.
Ainda na primeira etapa, a equipe adversária abriu o placar e o desespero demonstrado no início da partida ampliou mais ainda. A defesa viu o atacante invadir a área e vencer o goleiro facilmente.
Com as jogadas fluindo para os visitantes e os demais confrontos não alinhados com a pretensão, não restou à equipe, nada mais que se lançar de maneira desorganizada ao ataque. Porém, nada surtiu efeito e o apito anunciando o fim do primeiro tempo trouxe desespero para alguns e, até certo ponto, alívio para outros que já estavam desacreditados.
As pessoas que assistiam ao embate realizado naquela tarde passaram todo o intervalo pensando no que estaria acontecendo com o time ou o que poderia ser feito para reverter o placar. O silêncio era aterrorizante.
Um menino de seus 10 anos ainda acreditava. Confiava muito no potencial do capitão da equipe já que devia ter guardado em sua memória todos os lances apresentados da carreira de Edmundo em programas esportivos e, até mesmo, em fitas gravadas em casa e comentários de pessoas mais velhas. Argumentava, mesmo que inutilmente, com o seu pai o porquê de Pedrinho – outra revelação do clube, havia retornado depois de anos – não ter sido relacionado desde o início da partida.
Os jogadores voltaram para a derradeira etapa do embate. O então comandante vascaíno continuava a propagar suas teses de que a equipe mudaria de postura e de que o revés era praticamente impossível.
Na contramão, a torcida não dava tanto crédito às declarações do altivo técnico.
Foi dado início à etapa final. A platéia continuava quieta. Mas, após alguns minutos, tomada pelo amor à cruz de malta, os cantos voltaram ao local em uma só voz. Afinal, o Vasco é o time da virada.
A equipe voltou pressionando, mas a cada lance perdido, Edmundo se desesperava cada vez mais. Mas não era um desespero normal ou com os outros jogadores ou arbitragem, mas consigo mesmo. O capitão não conseguia se encontrar dentro do duelo com a defesa adversária e a tensão era completamente visível.
Porém, o revés se mostrava cada vez mais inevitável. Pouco depois de 28 minutos jogados na etapa final, os adversários ampliaram a vantagem.
Naquele momento. Alguns torcedores sentaram perplexos e outros foram embora esbravejando. Mas a dor deles não superava a dor de alguns jogadores que poderiam estar na batalha ajudando a equipe, mas foram preteridos.
O goleiro reserva Roberto, se debruçou por trás do banco de reservas e não conseguiu conter as lágrimas. No mesmo momento, Pedrinho demonstrou, não apenas para as câmeras ou para a multidão, mas para si mesmo, todo o amor que um jogador pode ter por um clube. Mesmo sendo chamado de jogador profissional, o meia demonstrou todo o seu amadorismo. Foi nesse ponto em que boa parte da torcida que se revoltava nas arquibancadas e sociais teve idéia da situação do clube e que, acima de tudo, havia um representante deles no gramado e que não pôde ajudar a equipe, mas que não faltou coragem e vontade de entrar no campo de batalha. Afinal, antes de jogador profissional, Pedrinho e Edmundo eram torcedores e seguidores do clube da Cruz de Malta.
A admiração dos torcedores aumentava cada vez mais pelos dois na mesma medida em que a revolta com relação a outros componentes da equipe crescia. Leandro Amaral e Wagner Diniz, tidos como traidores por grande parte da torcida, visivelmente caíram de produção nas partidas finais e não demonstravam vontade em ajudar o clube na sua volta por cima. Ambos já haviam sido apalavrados com outros clubes, conforme os veículos de comunicação confirmaram durante a semana antes do jogo.
Jogadores qualificados, até certo momento, são pontos positivos para o marketing de um clube, porém, torcedores – da maior parte dos times, diga-se de passagem – desejam jogadores que demonstrem vontade em representar a agremiação, mesmo sendo limitados. E garra é uma característica que a torcida do Clube de Regatas Vasco da Gama sempre priorizou em toda a sua história.
O fim trágico foi anunciado. Tristeza, silêncio e revolta foi o desenho daquele início de noite do dia 7 de dezembro de 2008.
Edmundo não foi o bastante para mudar o rumo sombrio ao qual o clube estava destinado, Pedrinho, impotente do banco de reservas, nada pôde fazer, pois não teve o alcance para tomar qualquer iniciativa e os que não honraram o manto, deveriam partir para nunca mais voltar, pois estes não são merecedores do batismo com a Cruz de Malta.
Era o início da era de uma era de trevas para o Vasco da Gama.
A multidão não queria acreditar no que os olhos acabaram de presenciar. Algo que nunca havia sido ventilado tanto pelos corredores de São Januário quanto em qualquer outro lugar. Era o momento de refletir, mudar, reformular. Tantos verbos, mas com um só significado: O sentimento nunca pode parar.

5 comentários:

Panda disse...

o.O Arthur da Távola faz parte do blog?

Cutia disse...

nao vou criticar, senao ele nao posta mais...
isso foi um desabafo?

Teddy Ramone disse...

De certa forma sim, amigo Cutia.
Só quem é torcedor do Vasco da Gama sabe como é a história do clube e como ele nos emociona tanto. (lágrimas)

Teddy Ramone disse...

Para completar, sábado estive no Caldeirão - não, não era o do Huck e nem a Via Show - o verdadeiro, São Januário. Fui ver o meu Vascão detonar o Brasiliense. Muita emoção, Aline quase chorou na hora do gol do Vasco. Parecia até que tinha derrotado o campeão mundial de Buraco do Gazzag.

Cutia Selvagem disse...

hum... a parada foi tensa